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Maduro diz que está pronto para conversar com a oposição e fala em antecipar eleições legislativas

Presidente venezuelano disse a uma agência russa que diálogo pode ter participação de mediadores internacionais. Na terça-feira, o Supremo congelou as contas e proibiu o opositor Juan Guaidó de deixar o país.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou nesta quarta-feira (30) que está pronto para dialogar com a oposição e se mostrou favorável à organização de eleições legislativas antecipadas para superar a crise política em seu país.

“Estou disposto a comparecer à mesa de negociações com a oposição, para falar sobre o bem da Venezuela, pela paz e seu futuro”, declarou Maduro à agência de notícias russa RIA Novosti. A conversa poderia contar com a presença de mediadores internacionais.

“Seria muito bom organizar eleições legislativas antes, seria uma boa forma de discussão política, uma boa solução através do voto popular”, afirmou Maduro.

Em seguida, ele destacou que “as eleições presidenciais aconteceram há menos de um ano, há 10 meses”.

“Não aceitamos ultimatos de ninguém no mundo, não aceitamos a chantagem. As eleições presidenciais aconteceram na Venezuela e se os imperialistas querem novas eleições que esperem até 2025”, completou Maduro.

O apelo por eleições “livres e credíveis” foi feito pelo União Europeia logo depois de o presidente da Assembleia Nacional e líder da oposição, Juan Guaidó, autodeclarar-se presidente interino da Venezuela na quarta-feira (23).

Trump

Maduro disse ainda que está “disposto a discutir pessoalmente com Donald Trump, em público, nos Estados Unidos, na Venezuela, onde quiser, com qualquer programa” de debate.

Porém, considera “complicado atualmente” que isso aconteça, porque, segundo Maduro, o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, “proibiu Trump de iniciar o diálogo”.

O chavista também expressou o reconhecimento ao presidente russo, Vladimir Putin, que apoia o seu governo. A Venezuela recebe a cada mês armamento russo, “o mais moderno do mundo”, como parte dos acordos vigentes, destacou Maduro.

Apesar da situação econômica do país, a Venezuela continua pagando suas dívidas pontualmente a China e Rússia, seus principais credores, afirmou Maduro. “A Venezuela paga, sempre no prazo”, disse.

A disposição de Maduro para conversar com os opositores foi divulgada horas depois de o Tribunal Supremo da Venezuela congelar as contas de Guaidó e proibir o opositor de deixar o país.

Mais cedo, Guaidó enviou uma mensagem pelo Twitter para a Suprema Corte venezuelana em resposta ao pedido do procurador, que solicitou o bloqueio de seus bens:

“A quem estiver hoje na sede do TSJ: o regime está na etapa final. Isso é inevitável, e vocês não precisam se sacrificar com o usurpador e sua turma! Pensem em vocês, suas carreiras, no futuro de seus filhos e netos que também são os nossos. A história vai reconhecê-los”.

No domingo, Guaidó solicitou uma visita da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet.

Mais manifestações

Além disso, Guaidó convocou manifestações para esta quarta-feira (30) e sábado (2) com o objetivo de pedir o apoio dos militares a sua iniciativa de montar um governo provisório que conduza à realização de novas eleições. O autoproclamado presidente interino tem o respaldo dos Estados Unidos e de vários outros países.

Desde segunda-feira (21), o país enfrenta uma onda de protestos que já deixou 40 mortos e 850 detidos, em estimativa da ONU.

Fonte: G1 Mundo

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