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Conheça o “truque” que faz de “Jenifer” um sucesso do forró moderno

De acordo com pesquisadores, o forró surgiu no século XIX. Ao longo dos últimos duzentos anos, se sustenta até hoje como único grande gênero da música brasileira que nascido fora do eixo Rio-São Paulo. Entre outros fatores, a inovação é um dos responsáveis pela  longevidade desse tipo de música tão contagiante.

Ao longo dos tempos, a música feita com sanfona, zabumba e triângulo foi passando com sucesso por algumas metamorfoses. Da virada do século pra cá, por exemplo, o chamado “forró eletrônico” tem sido o grande responsável por manter o estilo na prateleira de cima do sucesso. De quebra, a vertente que ganhou força devido à ascensão de tecladistas cantores, como Frank Aguiar, soube coexistir e superar o contemporâneo forró universitário, responsável por lançar no mercado bandas como Falamansa, Rastapé, Bicho de Pé, entre outras.

De uns tempos pra cá, no entanto, a tecladeira perdeu um pouco de espaço e de lugar a um novo protagonista. Não estamos falando de solos de guitarra, ou de naipes de metais e muito menos de vocais impecáveis. O fator determinante para o sucesso do forró moderno é a bateria. As pancadas que antecedem os refrões das músicas, incluindo o hit da garota do Tinder, têm dado o tom o ritmo da música popular brasileira.

Segundo o músico Maurício Mendes, ex-batera da banda Calcinha Preta, o som inconfundível da bateria do forró moderno se chama “latido de cachorro”. Esse barulho animalesco é fruto de técnicas que, ao longo das últimas décadas, foram criadas, transmitidas e aprimoradas entre produtores e músicos de grupos como Aviões do Forró, Mastruz com Leite, Limão Com Mel, entre muitos outros.

Mendes explica que a mágica começa a acontecer com a estrutura do instrumento. No forró atual, a bateria é o instrumento que dita o ritmo. O chimbau faz o papel do triângulo e a caixa, no lugar da zabumba, solta um som mais agudo graças a seu tamanho diminuto. Além do mais, o baterista também conta com uma segunda caixa maior, responsável por sons marcantes. Outras peças determinantes são os tons, que podem vir em até quatro tamanhos diferentes, e dos rototons, os clássicos tamborins formados apenas por aro e pele. É esse conjunto que dá aquele som estirado, ouvido a metros de distância do alto falante ou do palco.

Em conversa com o site Vice, Mendes explicou que tons e rototons são ouvidos em momentos de destaque das músicas, o que é o caso do refrão de “Jenifer”. Segundo o músico, o tratamento acústico das músicas também colabora para que o “latido de cachorro” ecoe pelos quatro cantos do mundo. “O técnico de áudio pega todas as frequências da bateria e destaca o som”, argumenta. “Normalmente, ele ‘corta’ o som que você não quer, mas no forró a gente pega todas as frequências e aumenta mesmo”. Isso significa dizer que, sim, alguns trechos da bateria de forró soam mais alto que o normal.

Fonte: Gustavo Morais/Cifra Club News

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